Em abril de 2009, o capitão Richard Phillips teve seu navio cargueiro invadido por piratas somalis quando se dirigia ao Quênia. Ele passou cinco dias como refém, parte deles a bordo de um pequeno bote salva-vidas. No início de 2012, Tom Hanks reviveu as mesmas situações em mar aberto, na costa de Malta, e, embora não corresse os mesmos riscos que o personagem real, sua missão também não foi nada fácil.
"Todo dia íamos ao porto, subíamos no navio e partíamos. E o navio realmente balança. Você acha que vai ser estável, mas não é. Não tive nenhum problema de verdade com enjoo --acho que a equipe também não teve-- até começarmos a trabalhar na cena do bote salva-vidas. Era uma atmosfera muito desconfortável e desagradável. Gravamos também em um estúdio em Londres, com uma estrutura que balançava e que não é igual a estar no mar. Ela girava para todos os lados, mas quando você está no mar, aquela coisa chacoalha muito mais. Tivemos algumas cenas em que, mais cedo ou mais tarde, todo mundo golfou, vomitou, chamou o Hugo, como você quiser chamar", contou Hanks, estrela de "Capitão Phillips", durante uma teleconferência com jornalistas de todo o mundo, na qual o UOL esteve presente. O filme estreia no Brasil nesta sexta (8).
"Acho que filmar no mar é uma daquelas coisas que podem colocar diretores e estúdios em apuros", afirmou o cineasta Paul Greengrass, que já comandou grandes produções como "O Ultimato Bourne", "Voo United 93" e "A Supremacia Bourne", e é filho de um marinheiro mercante. "Uma das coisas que mais me orgulho neste filme é que fomos para mar aberto. Ele foi filmado majoritariamente no oceano, não em baías protegidas. Isso dá uma qualidade especial ao filme, mas traz dificuldades. Em algumas das cenas em que os botes a motor atacam o navio cargueiro, as ondas eram muito altas. É um trabalho muito perigoso. Você está trazendo pequenos botes para perto de um cargueiro em movimento, há toda sorte de questões de segurança".
Estas dificuldades, conta Greengrass, transformaram a equipe praticamente em uma verdadeira tripulação de navio. "Porque vivemos em mar aberto, e comemos em mar aberto, vomitamos em mar aberto --e certamente fizemos isso muitas vezes--, e começamos a entender um pouquinho dos ritmos do oceano".
Para garantir o efeito de realismo, além de filmar no mar, em navios reais (tanto o cargueiro quanto os navios da Marinha norte-americana que vêm em resgate da embarcação atacada), Greengrass decidiu escalar verdadeiros somalis para os papéis dos piratas, recrutados entre candidatos das comunidades nos Estados Unidos e na Inglaterra, com pouca experiência de atuação.
"Uma das minhas decisões cruciais era ter somalis nos papéis desses quatros jovens que atacam o navio. Primeiro porque a Somália tem uma história muito interessante e conflituosa, e os jovens do país querem contar essa história. Segundo porque jovens somalis têm uma aparência muito específica, e eu queria que fosse autêntico. Esses jovens essencialmente vão ao meio do oceano e atacam navios, e é uma aposta muito arriscada do ponto de vistas deles. Para capturar isso, você precisa de jovens daquela cultura que possam entender essa situação".